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Cresce número de mulheres da classe média que denunciam casos de violência

Na última atualização do Monitor de Feminicídios no Brasil, entre os meses de janeiro a junho de 2023 foram registrados 1.153 feminicídios, sendo 805 consumados e 348 tentados. A média diária foi de 3,81 feminicídios consumados no Brasil.

Cresce número de mulheres da classe média que denunciam casos de violência

Historicamente, a violência contra a mulher foi frequentemente associada a determinadas camadas sociais e a visibilidade dada a esse problema sempre esteve relacionada a relatos de mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, porém, os números atuais vêm rompendo esse estereótipo, mostrando que mulheres pertencentes à classe média também estão sujeitas a todos os tipos de violência.

Dados compilados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam um cenário perturbador, no qual a violência está se espalhando para além das áreas tradicionalmente afetadas. De acordo com dados, houve um aumento de 14,9% nos registros de estupro e 2,6% nos feminicídios em 2022, em relação ao ano anterior.

O aumento do número de denúncias por parte das mulheres da classe média pode ser atribuído a um conjunto de fatores. Em primeiro lugar, a crescente conscientização e os debates públicos sobre direitos das mulheres podem ter encorajado essas mulheres a quebrarem o silêncio e buscar ajuda. Além disso, é possível que a maior autonomia financeira e o acesso a recursos educacionais tenham capacitado essas mulheres a identificarem e confrontarem situações de violência em seus relacionamentos.

A psicóloga Isabel Paegle afirma: “o aumento das denúncias por parte das mulheres da classe média é extremamente relevante e reflete uma mudança significativa na forma como a sociedade está encarando a violência de gênero. Isso evidencia que nenhum grupo social está imune a essa problemática e que o enfrentamento da violência é uma luta de todas nós.”

O Laboratório de Estudos de Feminicídios que reúne pesquisadores, profissionais e estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina), UFU (Universidade Federal de Uberlândia), UFBA (Universidade Federal da Bahia), CFP (Coletivo Feminino Plural) e Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres de Londrina, recentemente apresentou dados de todo o país coletados pelo Monitor de Feminicídios no Brasil no período de janeiro a julho de 2023, onde levanta critérios de classificação inclusive  feminicídios consumados e tentados, através de notícias veiculadas e ferramentas digitais de pesquisa sobre investigação de mortes violentas de mulheres.

Na última atualização do Monitor de Feminicídios no Brasil, entre os meses de janeiro a junho de 2023 foram registrados 1.153 feminicídios, sendo 805 consumados e 348 tentados. A média diária foi de 3,81 feminicídios consumados no Brasil.

Diante desse cenário alarmante, é fundamental que o poder público direcione recursos e ações voltados ao enfrentamento da violência contra as mulheres, proporcionando serviços de acolhimento, apoio jurídico e psicológico específicos para essa parcela da população. Além disso, é imprescindível que sejam realizadas campanhas de conscientização direcionadas à classe média, destacando a importância de denunciar e combater a violência de gênero.

Maura Bueno, jornalista e defensora dos direitos das mulheres, destaca: “o noticiário nacional mostrou nas últimas semanas dois casos de mulheres famosas e bem-sucedidas profissionalmente, a apresentadora e empresária Ana Hickman e a cantora Nayara Azevedo, que resolveram denunciar seus maridos agressores após anos de violências silenciadas. Ambas denunciaram serem vítimas de violência física, psicológica e patrimonial, dentre outros. Esse movimento de furar a bolha e revelar problemas vividos independentemente da situação financeira encoraja outras mulheres a não se calarem.

O aumento do número de mulheres da classe média que denunciam casos de violência traz à tona uma nova perspectiva sobre a realidade brasileira. Essa mudança nos padrões de denúncia revela que a violência contra a mulher não se restringe a grupos específicos, exigindo um esforço conjunto para seu enfrentamento. É fundamental que a sociedade e o poder público atuem em conjunto para garantir a proteção e o amparo a todas as mulheres, independentemente de sua posição socioeconômica. Somente assim poderemos construir um país mais igualitário e seguro para todas.